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» Falhas em políticas públicas mantém elevado o número de jovens “nem-nem”


No dia 4, mais de 5,5 milhões de candidatos enfrentarão a primeira etapa das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Criado em 1998, o teste é utilizado para avaliar a qualidade do ensino médio no país, mas seu resultado serve também para dar acesso ao ensino superior em universidades públicas brasileiras — e até em algumas no exterior. Por isso, o Enem é chamado de "o maior exame vestibular do Brasil".

Quem conseguir boas notas, terá dado importante passo para se manter longe de um dos fantasmas da juventude atual: o de ser rotulado como jovem "nem-nem", aquele que, na linguagem popular, "nem estuda, nem trabalha". Mais recentemente, foi acrescentado outro "nem" à expressão, como referência aos que também não procuram trabalho.

Se há obstáculos no caminho dos estudos, os degraus até o mundo do trabalho estão a exigir esforço adicional por parte dos jovens — e não apenas no Brasil. A alta ocorrência de desemprego nessa faixa etária é um problema mundial. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), eles representam mais de 35% dos desempregados do planeta.

Na lista dos dez países europeus com os maiores índices de jovens de ambos os sexos que não trabalham nem estudam estão Grécia, com 39,1%, Espanha, com 33,4%, Itália, com 30,8%, França, com 20,4%, e Portugal, com 20,3%. No Brasil, 23% da população entre 15 e 29 anos de idade, o que equivale a mais de 11 milhões de jovens, pertencem à categoria. Segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2016 e 2017, 619 mil jovens brasileiros ingressaram nesse contingente.

O analista de Segmentação do IBGE Pedro Franco explica que os motivos para o crescimento desse grupo são variados. E vão além da crise econômica do país. Ele lembra que, na era da inteligência artificial, dos aplicativos e das redes sociais, as profissões estão mudando. Enquanto isso, a educação brasileira ainda não atingiu metas programadas para 2015.

“Em comparação com economias mais desenvolvidas, o índice brasileiro talvez não devesse ser tão alarmante, mas é, porque lá o nível da educação é melhor, dando mais mobilidade às pessoas. Na União Europeia, por exemplo, os desempregados de um país podem mudar para outro e trabalhar. E isso não acontece, nem é tão fácil, aqui”.

A especialista em mercado de trabalho e professora da Faculdade de Administração da Universidade de Brasília (UnB), Débora Barem, partilha o entendimento de que diferentes fatores levam esses jovens a ficarem fora do mercado de trabalho e de instituições de ensino. Segundo ela, o difícil cenário começou no momento em que muitas portas de emprego se fecharam, a renda diminuiu e, consequentemente, nem os jovens nem suas famílias conseguiram mais custear seus estudos:

“Apesar de o auge da crise econômica do país já ter passado, ainda estamos num momento muito ruim, especialmente para essa faixa etária. De acordo com Débora, muitos jovens ainda enfrentam dificuldades para definir em qual área desejam trabalhar pelo resto da vida. Isso se agrava pela falta de orientação dentro das universidades. Conforme a professora, essa indefinição leva os jovens a perderem tempo, a já se apresentarem ao mercado mais velhos e sem experiência no currículo, o que termina atrapalhando a conquista profissional. Outro problema, na visão da especialista, é que a falta de oportunidades tem levado muitos desses aprendizes a realizar estágios fora da área desejada, dificultando ainda mais sua colocação no mercado de trabalho:

Nós observamos essa situação em todas as classes sociais: o jovem está bastante solitário nessa procura. Mesmo tendo acesso a ferramentas como a internet, por exemplo, esse diagnóstico não é alcançado por meio de uma simples pesquisa no Google, precisando ser muito mais aprofundado”.

Embora lembre que o quadro dos jovens nem-nem não é prerrogativa brasileira, Débora Barem adverte que aqui a situação é mais grave porque o nível de capacitação dessas pessoas é baixo. Ela aponta como exemplo a dificuldade de alguns para interpretar textos e compreender assuntos do cotidiano.

“A falta de orientação faz com quem esses jovens errem muito na hora da escolha profissional. Já os que acertam, se esquecem muitas vezes de que podem alcançar posicionamento diferenciado por meio da formação e de que o diploma de nível superior continua sendo um diferencial qualificador nesse universo”, ressalta a estudiosa.

Esperança

Morador de Planaltina (DF), Douglas Belisio Farias de Albuquerque, 22 anos, mora com a mãe, que é pensionista e arca com todas as despesas da casa e dos filhos. Douglas tem uma irmã, de 25 anos, que faz trabalhos temporários como manicure e cabeleireira, e uma sobrinha de 9 anos. Enquadrado na categoria dos que não estudam nem trabalham desde 2015, ele não conseguiu uma colocação no mercado de trabalho após terminar estágio que fez na Maternidade Brasília por meio do programa Jovem Aprendiz. Para Douglas, que concluiu o ensino médio, a escola está longe de preparar os jovens, já que faltam capacitação e oportunidades para que eles adquiram a experiência tão exigida hoje:

“Muitos de nós terminam o ensino médio, não conseguem entrar para uma universidade nem se colocar profissionalmente. Acabam ficando em casa, por falta de opção”.

Douglas Belisio diz que é criticado por não estar trabalhando ou estudando, mas sonha em voltar à sala de aula. Questionado sobre como espera que esteja a sua vida daqui a dez anos, ele responde:

“Formado, com um bom emprego e totalmente estabilizado financeiramente”.

A situação de Douglas não é diferente da de Alyson Maia, de 24 anos. Demitido do emprego de supervisor de vendas, o jovem não pôde mais pagar a faculdade de recursos humanos e foi obrigado a abandonar o curso quando faltava apenas um semestre para a formatura. Como a mãe não tinha condições de sustentar a casa e ainda os estudos do jovem, Alyson também foi obrigado a ficar parado. Depois de concluir um curso de vigilante, o rapaz distribui currículos num mercado de trabalho cada vez mais disputado, mas sem perder a esperança.

“Meu sonho é terminar minha faculdade e começar outra, de odontologia. E eu sei que vou conseguir”.

Seis meses depois de formada, Ana Carolina Peres, de 23 anos, sabe que o jornalismo passa por transformações, e tem tido dificuldades para encontrar trabalho. Ainda morando com os pais, numa família de classe média de Brasília, a jovem sonha em se tornar independente.

“Eu senti a necessidade e fiz cursos de aperfeiçoamento, voltados para o audiovisual, mas vejo que esse aprimoramento precisa ser um esforço constante para que eu possa entrar num mercado de trabalho cada vez mais exigente”.

Veja a matéria completa no site do Senado, clicando aqui.


Fonte: Agência Senado

25/10/2018
  
 
   
 
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