Revitimização nos casos de assédio: o que é e como evitar
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O enfrentamento ao assédio no ambiente de trabalho não termina com a denúncia. Em muitos casos, após relatar uma situação de violência, constrangimento ou humilhação, a vítima passa a enfrentar novas formas de sofrimento decorrentes da maneira como é tratada pela instituição, pelas chefias ou até pelos colegas. Esse fenômeno é conhecido como revitimização.
A revitimização ocorre quando a pessoa que já sofreu uma violência é exposta novamente a situações que intensificam seu sofrimento, colocam em dúvida sua experiência ou produzem novo desgaste emocional e profissional.
No contexto laboral, isso pode acontecer de diversas formas, como:
- minimização ou desqualificação do relato;
- comentários sobre o estado emocional ou psicológico da vítima;
- exposição desnecessária da situação;
- repetição excessiva de relatos sem necessidade;
- isolamento informal no ambiente de trabalho;
- cobranças diferenciadas após a denúncia;
- tratamento hostil, irônico ou desconfiado;
- responsabilização da vítima pelo ocorrido;
- pressão para “superar rapidamente” o episódio;
- insinuações de exagero, fragilidade ou drama.
A revitimização é especialmente grave porque transforma o processo de busca por proteção em uma nova fonte de sofrimento. Além de afetar a saúde mental, ela pode gerar medo de denunciar, sensação de desamparo institucional, perda de confiança nas equipes e agravamento do adoecimento emocional.
A prevenção desse tipo de prática exige responsabilidade institucional e compromisso coletivo com um ambiente de trabalho respeitoso e seguro.
Algumas medidas importantes para evitar a revitimização incluem:
Escuta respeitosa e acolhedora
A pessoa que relata uma situação de assédio deve ser ouvida com seriedade, sem ironias, julgamentos ou tentativas de desacreditar sua percepção;
Preservação da confidencialidade
Evitar comentários, exposição informal ou circulação desnecessária de informações ajuda a proteger a dignidade da pessoa envolvida;
Evitar interpretações psicológicas indevidas
Não cabe a colegas ou gestores atribuir supostos problemas emocionais, fragilidade ou descontrole psicológico à vítima. O foco deve permanecer na análise objetiva das condutas e do ambiente de trabalho.
Redução de exposições desnecessárias
Sempre que possível, deve-se evitar que a vítima precise repetir continuamente o relato ou reviver situações traumáticas sem necessidade prática;
Capacitação de lideranças e equipes
A informação é uma das principais ferramentas de prevenção. Conhecer o que caracteriza assédio e revitimização ajuda a evitar práticas naturalizadas que podem causar danos significativos.
O combate ao assédio exige não apenas a apuração dos fatos, mas também cuidado com a forma como as pessoas são tratadas durante e após esse processo.
Promover ambientes de trabalho saudáveis significa garantir que ninguém seja punido, isolado ou desqualificado por buscar proteção, dignidade e respeito.
A prevenção da revitimização está alinhada às diretrizes nacionais de enfrentamento ao assédio e à violência institucional, especialmente às políticas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para proteção da dignidade, saúde e segurança dos servidores e servidoras no ambiente de trabalho.
A revitimização pode configurar forma de violência institucional, contrariando princípios de proteção à dignidade humana, à saúde mental e ao dever institucional de garantir ambiente de trabalho seguro e respeitoso.
Caso o(a) servidor(a) esteja enfrentando situações de assédio, é importante lembrar que não precisa passar por isso sozinho(a). O sindicato permanece à disposição para acolher, orientar e acompanhar os trabalhadores na busca por um ambiente de trabalho mais seguro, respeitoso e saudável.