Cartilha sobre microagressões de gênero do TRT5 deve ser adotada em todo o Judiciário Trabalhista, defende Sinjutra
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A cartilha "Microagressões de Gênero no Trabalho" do TRT5 (Bahia) aborda o machismo cotidiano e comportamentos discriminatórios normalizados contra mulheres. O material, elaborado pelo Núcleo de Sustentabilidade, Acessibilidade e Inclusão do Regional, chama atenção para falas sutis, piadas e ações que questionam a competência feminina e o papel da mulher na sociedade. Ao final do texto, confira o link para a íntegra da publicação.
Para o Sinjutra, conscientizar sobre as inúmeras violências a que as mulheres estão submetidas, ainda que algumas ocorram de forma sutil, deve ser uma política permanente. Por isso, o sindicato defende a adoção da cartilha por todos os Regionais do Trabalho, uma vez que se trata de um guia detalhado sobre como se dão essas práticas, além de apontar saídas e caminhos para seu enfrentamento.
O material destaca que o preconceito de gênero pode aparecer de diferentes formas, desde comentários sexistas explícitos até atitudes veladas que reduzem, invisibilizam ou deslegitimam a atuação profissional das mulheres. Essas práticas se manifestam em situações cotidianas no ambiente de trabalho.
Entre as situações mais comuns estão:
- Interromper constantemente a fala de mulheres (manterrupting), prejudicando sua exposição e participação.
- Explicar o óbvio ou subestimar o conhecimento de uma colega (mansplaining), como se ela não dominasse o assunto.
- Gaslighting, quando se distorce fatos ou se coloca em dúvida a percepção da mulher, levando-a a questionar sua própria memória ou interpretação.
- Repetir ideias apresentadas por mulheres como se fossem próprias, diminuindo sua autoria e reconhecimento.
- Fazer piadas sobre TPM ou estereótipos femininos, associando posicionamentos firmes a questões hormonais.
- Perguntar apenas às mulheres sobre filhos ou cuidados domésticos, reforçando a ideia de que essa responsabilidade é exclusivamente feminina.
- Tocar colegas sem consentimento ou utilizar apelidos íntimos, criando situações de constrangimento.
- Comentar sobre corpo ou aparência, ainda que sob a forma de “elogio”, deslocando o foco da competência profissional.
Como evitar e enfrentar essas atitudes
A cartilha também orienta sobre como agir diante dessas situações e como construir um ambiente mais respeitoso. Em caso de piadas sexistas disfarçadas de humor, pode-se responder com firmeza e tranquilidade:
“Isso não tem graça” ou “Não entendi, pode explicar?”.
Quando houver interrupções ou explicações desnecessárias, é importante posicionar-se:
“Deixe-me terminar de falar” ou “A explicação já foi clara”.
Homens também têm papel fundamental na mudança cultural e no compromisso com ambientes de trabalho mais seguros e igualitários, podendo intervir positivamente ao dizer, por exemplo, “Quero ouvir o que ela tem a dizer”. Diante de comentários inconvenientes, uma resposta assertiva pode ser:
“Pode explicar o que quis dizer com isso?”, trazendo a conversa de volta ao plano profissional.
O enfrentamento ao machismo e às microagressões não é responsabilidade exclusiva das mulheres. É um compromisso coletivo. Líderes e colegas devem atuar de forma ativa na prevenção e correção de comportamentos inadequados, promovendo respeito, equidade e dignidade nas relações de trabalho.
O Sinjutra reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e com a construção de ambientes profissionais livres de assédio, machismo e discriminação.
Para acessar a íntegra da cartilha, clique no link abaixo.
https://www.trt5.jus.br/sites/default/files/www/files/cartilha_de_microagressoes_de_genero_no_trabalho.pdf